deserto
uma concha amarela
para ouvir a tua voz
como se tu fosses o mar
e há uma areia fina que me
cobre
e eu fico esfíngica
e deixo-me tapar no teu silêncio
toco na minha saia de lantejoulas
e olho os meus pés descalços
na areia do deserto
e há um pássaro enorme que me
olha nos olhos
como se tivesse um recado teu
para me dizer
mas estamos tão longe
e eu
nada sei de ti neste entardecer


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