cantar
e eu sou uma mulher
mas apesar de eu parecer a mais doce das tuas ovelhas
não serei nunca o peixe onde o corvo mergulha
eu sou a cotovia que canta nas tuas manhãs solitárias
quem te anuncia que o sol já nasceu
num voo livre e alegremente ondulante
invertido e picado sobre ti
que tu sejas o elefante que saúda o sol em silêncio
de tromba erguida ao céu
e que assim nos encontremos
nas páginas desta estonteante
e melodiosa estória
e que até lá eu cante para ti
as mesmas cinco notas
sempre diferentes e inesperadas
tão amante que eu sou de te cantar
no teu espantado
e incrédulo
coração


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