cadente
um único poema
prometo sentar-me no rio a olhar a outra margem
e ficar tão quieta e mansa que até me pousem as cotovias
no cabelo
e me debiquem as tristezas e as mágoas
emudecidas e pasmadas com o meu marasmo
e os gatos vadios me subam pelas pernas
e fiquem comigo a ver o invisível que apenas eu vejo
prometo ficar transparente como um anjo e desaparecer
dentro das flores que fotografo
incansável e cansada
e manter apenas o meu cheiro a amarelo que acho impossível de apagar
todos os dias peço a mim mesma para me encher deste meu silêncio
desejado em mim
e manter apenas o primordial amor que te tenho sem o dizer
nem a ti nem a ninguém
e dar longos passeios assim irreconhecível como uma rosa
na espera de uma mudança leve
como uma estrela cadente que voa no teu céu
sedenta que estou
de ti


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