estava calor como naquele dia



estava calor como naquele dia, um sol impiedoso e húmido, sensual e doce
caminhei solta rua abaixo fascinada com os amantes que se tocavam impudicamente
e com os que apenas se olhavam perdidos num amor silencioso e mudo
procurei as mesmas ruas e pisei as mesmas pedras da calçada
vi as mesmas prostitutas, paradas e indiferentes, nas mesmas portas antigas
sentei-me na mesma mesa e bebi a mesma imperial gelada, a ouvir as mesmas gargalhadas felizes e inconsequentes
sozinha lancei-me rua abaixo e senti o peso insuportável da tua ausência
e nada tinha a mesma cor, nem o mesmo cheiro, nem a mesma textura, nem a mesma luz
e corri para casa, vazia e espantada estupidamente perdida de ti

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